A gente acha que decide racionalmente o que consome. Mas basta olhar com atenção para ver que o contexto dita muito mais do que parece. Foi aí que entendi, mesmo antes de abrir um negócio, que consumo não é só compra. É comportamento, é sinal de mudança.
Nos últimos anos, principalmente à frente da Food To Save, tenho visto de forma clara como o ESG deixou de ser um “tema interessante” para se tornar uma exigência real. Hoje, já não se discute se vamos ou não falar de sustentabilidade. A pergunta mudou: como a gente vai fazer isso acontecer de forma concreta e autêntica
Segundo o relatório Tendências de Bens de Consumo 2024, mais de um terço dos brasileiros está disposto a pagar mais por escolhas sustentáveis. E 83% esperam que as marcas tenham um compromisso verdadeiro com práticas ESG. Isso não é mais previsão de futuro. É o agora.
Assim como aconteceu com a digitalização, que começou como inovação e hoje é o básico para qualquer operação funcionar, ESG passou a ser parte do jogo. Quem ainda não se adaptou está perdendo relevância. E, com isso, deixando dinheiro na mesa.
Não estou dizendo que todo mundo precisa sair correndo para fazer campanhas com palavras bonitas. Muito menos adaptar o discurso só para parecer ESG. A mudança precisa ser real. Tem que nascer da cultura da empresa, refletir nas decisões diárias, mexer na operação e gerar impacto de verdade.
E isso começa nas lideranças. São os líderes que precisam puxar esse movimento. Entender que ESG não é custo. É valor. É diferencial competitivo. É o que atrai talentos, fideliza clientes e garante que o negócio faça sentido no médio e longo prazo.
No setor alimentício, onde atuo, esse desafio é ainda mais urgente. O Brasil joga fora 46 milhões de toneladas de comida por ano. É como encher o Maracanã uma vez e meia com comida boa. Não estamos falando de resto. Estamos falando de alimentos em condições de consumo.
Ignorar isso é fechar os olhos para um problema que é social, ambiental e econômico ao mesmo tempo. Na Food To Save, mostramos todos os dias que dá para combater o desperdício e, ao mesmo tempo, gerar valor para quem compra, para quem vende e para o planeta.
ESG não é mais uma agenda do futuro. É o que separa empresas que vão liderar nos próximos anos daquelas que vão ficar pelo caminho. Porque o consumidor já entendeu o recado. Agora é a vez das empresas.
Lucas Infante, CEO e cofundador da Food To Save.