sábado, julho 13, 2024

Sustentabilidade na indústria de joias: a importância da auditoria na cadeia de fornecimento

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O mercado de joias no Brasil está em franco crescimento. Hoje, estima-se que movimente US$ 3,5 bilhões e a expectativa é que esse número chegue a US$ 5,34 bilhões em 2029. Não é só o mercado interno que é aquecido: o Brasil também está entre os 20 maiores exportadores de ouro do mundo.

Com esse crescimento, é natural que vá aumentando, também, a demanda dos consumidores por produtos mais sustentáveis. O consumidor brasileiro está cada vez mais consciente e as pessoas estão mais dispostas a pagar mais caro por produtos considerados ecológicos ou sustentáveis. Mas como garantir uma produção sustentável usando o ouro?

O problema do garimpo ilegal

De acordo com dados do Instituto Escolhas, publicados em julho do ano passado, ao menos 50% do ouro comercializado no Brasil, entre 2015 e 2020, era ilegal. O garimpo ilegal também expandiu em cinco vezes a sua atuação em territórios indígenas. O tema, que inclusive está em debate na sociedade e Congresso hoje, tem fomentado a adoção de novas regras de rastreabilidade do metal.

Mas o assunto exige que empresas mudem seus controles em relação a cadeia de fornecimento, bem como também em relação à governança. Com a fragilidade da cadeia de suprimentos interna, fabricantes brasileiros, que por sinal têm mirado cada vez mais o mercado internacional, precisam aumentar a vigilância sobre a origem da matéria-prima.

Desde o fornecimento responsável de matérias-primas até condições de trabalho justas, uma cadeia de abastecimento ética visa abordar questões ambientais, sociais e de transparência no ciclo de produção de joias.

Falta de transparência na cadeia de abastecimento

Obviamente, a existência de matéria-prima vinda de garimpo ilegal faz com que o mercado joalheiro adote uma posição de pouca transparência sobre a cadeia de abastecimento.

Cadeias de abastecimento éticas na indústria joalheira enfatizam a importância do fornecimento responsável de materiais. Isto envolve rastrear as origens de metais e pedras preciosas para garantir que sejam extraídos e processados ​​de forma legal.

O fornecimento responsável mitiga os impactos ambientais e sociais negativos associados à mineração e ajuda a promover práticas sustentáveis ​​que protegem os recursos naturais para as gerações futuras. Ao adotar o fornecimento responsável, a indústria joalheira pode desempenhar um papel vital nos esforços de conservação e gestão ambiental.

Além disso, uma cadeia de abastecimento transparente atende às expectativas dos consumidores e traz uma infinidade de benefícios para a própria indústria. Ao divulgar informações sobre as origens dos materiais, processos de produção e práticas, joalherias constroem uma estrutura que atua como um catalisador para a melhoria contínua, incentivando as empresas a adotarem práticas mais sustentáveis ​​e responsáveis, na medida em que são responsabilizadas por uma base de consumidores informada e consciente.

Em essência, a importância de uma cadeia de abastecimento ética na indústria joalheira transcende a mera conformidade; incorpora um compromisso com a plataforma ESG como um todo.

Como tornar as cadeias de abastecimento éticas

Existem diversas maneiras de construir uma cadeia de fornecimento ética dentro da indústria joalheira. A mais importante delas é a auditoria da cadeia, com a análise regular dos fornecedores.

As empresas podem, inclusive, aproveitar a análise de dados para avaliar e monitorizar as suas cadeias de abastecimento, identificando áreas de melhoria e garantindo a conformidade com padrões éticos. Esta abordagem proativa permite a otimização contínua e a responsabilização nas práticas éticas.

Além disso, a tecnologia também pode ser uma aliada, com a incorporação do blockchain para transparência e rastreabilidade, utilização de materiais reciclados para a produção e a integração de energias renováveis como fonte das operações industriais.

A construção de uma cadeia de fornecimento ética no setor joalheiro extrapola as boas práticas de ESG. A adoção destas boas práticas é fundamental para a imagem do setor e a manutenção do crescimento de vendas de produtos com alto valor agregado no mercado interno e externo.

Plínio Pereira, gerente da área de Sistemas da TÜV Rheinland.

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