sábado, julho 13, 2024

A Tecnologia como aliada na mitigação de desastres naturais

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A América Latina e o Caribe formam a segunda região mais propensa a desastres naturais no mundo, atrás apenas da Ásia, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). As inundações são os desastres naturais mais frequentes nessa área, seguidos por furacões, terremotos, incêndios e secas. Em 2022, as perdas financeiras associadas a esses eventos alcançaram US$380 bilhões, um aumento de 22% em relação à média do século 21, segundo o relatório “Weather, Climate and Catastrophe Insight 2023”, produzido pela Aon. No Brasil, os prejuízos decorrentes de secas e enchentes ultrapassaram US$5,5 bilhões nesse mesmo período.

Os eventos climáticos extremos também vêm se tornando mais frequentes e devastadores no Brasil. A própria geografia brasileira explica em parte esta vulnerabilidade, com regiões que sofrem repetidos períodos de seca, como o semiárido nordestino, e outras áreas que inundam no Sul. Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), apenas em 2023 o país registrou 1.161 ocorrências, um recorde desde o início do monitoramento em 2011.

A tecnologia tem desempenhado um papel importante na prevenção de catástrofes e também vem fazendo uma grande diferença na resposta a desastres. Nem sempre é possível prever o tamanho exato de fenômenos naturais, mas é possível evitar que as ameaças, como secas ou furacões, se transformem em desastres com medidas apropriadas. Em muitos países, sensores, drones, satélites e outras técnicas já estão sendo usados para monitorar o clima, as condições do solo e para avisar a população sobre riscos iminentes por meio de sistemas de alerta.

Medidas emergenciais são a primeira resposta para salvar vidas e minimizar os danos. Nesse sentido, a tecnologia tem funcionado como uma grande aliada na coordenação de equipes de resgate e organização de transporte de suprimentos e equipamentos. Em um estado de urgência como o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, as primeiras horas e dias são críticos para que as comunidades possam se recuperar mais rapidamente. A equipe de resposta a desastres da AWS está trabalhando desde o primeiro momento com o governo do Estado e instituições públicas do Rio Grande do Sul para apoiar com a migração de sistemas críticos e suporte para plano de contingência com soluções de proteção de dados, migração e geoprocessamento.

A tecnologia e expertise em computação em nuvem apoiaram a análise de imagens em alta resolução que foram captadas em tempo real por meio de drones, e ajudou nas operações imediatas de busca por desaparecidos e resgate de pessoas. As imagens também serão analisadas pelo governo para avaliação de necessidades adicionais, uma vez que é possível mapear áreas em grande escala. Mesmo nas condições mais adversas, a tecnologia de edge computing provisiona dados e aplicações cruciais, com transporte de hardware até o centro de operações e uma infraestrutura implantável de acordo com as necessidades. Dessa forma é possível realizar as tarefas no próprio local e direcionar os recursos, mesmo que a conectividade com a Internet seja interrompida – o que pode poupar semanas em comparação aos métodos tradicionais

Outro uso da tecnologia para ajudar as vítimas das enchentes se dá por meio dos aplicativos, como os que estão sendo desenvolvidos em conjunto com startups e universidades. A Unisinos, em colaboração com a AWS e voluntários, desenvolveu o portal Achados e Perdidos RS. O site usa inteligência artificial e recursos do Amazon Rekognition para acelerar o cruzamento de informações por meio de fotos, entre diversas listas de abrigados, e facilitar a localização destas pessoas. A startup Augin desenvolveu os projetos pessoaperdida.com.br e petmapa.com.br. para conectar informações sobre pessoas e animais de estimação perdidos / encontrados com a ajuda de inteligência artificial.

A equipe de resposta a desastres da AWS está também trabalhando em colaboração com a Help.NGO, uma organização não governamental internacional especializada em resposta a emergências, contribuindo com projetos de mapeamento de desastres e adicionando dados vitais ao OpenStreetMap. Em áreas atingidas por desastres, onde os dados de mapa geralmente são escassos, essa abordagem é crucial para coletar dados básicos e realizar avaliações de danos em grande escala. O OpenStreetMap é um banco de dados de código aberto que pode ser usado por trabalhadores humanitários para localizar e inventariar infraestruturas, como escolas e hospitais.

Lançada oficialmente em 2018, a equipe de resposta a desastres da AWS, já respondeu a quase 50 desastres em todo o mundo, incluindo incêndios florestais em Maui, terremotos na Turquia, na Síria, furacões na Costa do Golfo e em Porto Rico, tornados em Kentucky e deslizamentos de terra no Brasil, como o de Petrópolis (RJ) em 2022. Em parceria com a Help.NGO, as equipes capturaram imagens de drones de 27 KM2 de terreno impactado, modelaram a área e fizeram uma renderização 3D em duas semanas. Essa renderização 3D altamente detalhada mostrou ao governo exatamente onde ele precisava concentrar recursos para fornecer suporte oportuno aos mais necessitados.

A tecnologia pode e deve ser uma aliada para minimizar os impactos de eventos sazonais. A gestão de risco de desastres no Brasil ainda é mais reativa do que preventiva, mas é de vital importância que governos e comunidades construam um modelo de gestão de emergências, considerando o fortalecimento dos recursos tecnológicos para coordenar a administração desses eventos, onde a informação e a logística são vitais.

Paulo Cunha, diretor da AWS para o setor público no Brasil.

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