sexta-feira, julho 12, 2024

Investimento em transição energética precisa aumentar 300% até 2050

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A transição energética dos combustíveis fósseis para as fontes limpas exigirá que os investimentos anuais cresçam 300% até 2050, de acordo com o estudo “If every energy transition is different, which course will accelerate yours?”, elaborado pela EY. Os fluxos de investimentos precisarão ser direcionados para as tecnologias de baixo carbono, que vão viabilizar esse objetivo da transição citado no global stocktake da COP28. Haverá, ainda segundo o levantamento, estímulo nas carteiras de capital por causa da precificação do carbono, mas isso não será suficiente, exigindo incentivos do governo para que se possa chegar pelo menos perto do investimento necessário em energias renováveis.

Nessa escala de investimento em tecnologias de baixo carbono, para que haja a transição energética, o volume anual deverá ser de US$ 1,6 trilhão já em 2030, passando para US$ 2,1 trilhões em 2035, US$ 2,7 trilhões em 2040 e chegando finalmente aos US$ 4,1 trilhões em 2050. Nesse ano, ainda segundo a análise da EY, a projeção de investimentos será dividida da seguinte forma: US$ 2,1 trilhões para geração de energia limpa e US$ 1,5 trilhão para investimento em transporte limpo por meio da mobilidade elétrica. O valor restante será direcionado para hidrogênio, bioenergia, captura de carbono, entre outras tecnologias.

O que se espera é que, com a transição energética, a geração de energia se torne predominantemente local, com 62% da energia advinda de fontes renováveis locais em 2050. A eletrificação de indústrias, residências e transportes deve estimular a geração local de energia. As regiões com fontes de energia abundantes e baratas, especialmente solar e eólica, vão atrair novos ativos de geração. Em regiões onde o fornecimento localizado de energia não for possível, haverá o crescimento de projetos de importação de energia limpa. Nesse contexto, a cidade de Antuérpia, na Bélgica, tem se dedicado a se tornar o centro de hidrogênio limpo na Europa. Esse é um exemplo, para o estudo da EY, do quanto os países vão considerar suas potencialidades de energia limpa para desenvolver sua própria infraestrutura.

A Bélgica está aproveitando a posição estratégica da Antuérpia como um dos centros mais movimentados do mundo, além de estar próxima de vários clusters industriais relevantes. Para isso, por meio do Porto de Antuérpia-Bruges e reunindo grandes players públicos e privados, o país está viabilizando um ecossistema de hidrogênio compartilhado, por meio do financiamento de uma rede de gasodutos que ligará o porto às zonas industriais belgas e alemãs até 2028. Esses investimentos representam um grande passo para o cumprimento dos objetivos de transição energética da Bélgica, trazendo inovação para todo o continente.

“O Brasil reúne condições favoráveis, como elevada disponibilidade de energia elétrica renovável, para estar, daqui a alguns anos, entre os maiores produtores de hidrogênio verde do mundo. Para isso, é preciso que a questão do custo de produção seja resolvida. Ainda é caro produzir um quilo de H2V no país”, diz Ricardo Assumpção, CSO (Chief Sustainability Officer) da EY e líder de ESG e Sustentabilidade.

Pressão dos consumidores

Os consumidores estão pressionando pela transição energética. Quase nove em cada dez (89%) provenientes de 18 mercados estão interessados em fontes renováveis e geração própria de energia para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. A popularização em curso de veículos elétricos, energia solar no telhado, baterias e tecnologia doméstica inteligente traz para os consumidores a possibilidade de produzir, armazenar, comprar e vender energia em suas vidas diárias.

Esse é um dos motivos que têm contribuído para que os consumidores residenciais e empresariais assumam a liderança para um novo sistema energético. Para impulsionar esse movimento, ainda segundo o levantamento da EY, as soluções de energia limpa devem ser cada vez mais fáceis, baratas e melhores para os consumidores. Trata-se de uma oportunidade para as empresas de energia, que podem dar aos consumidores o que eles desejam, por meio do investimento na flexibilidade e inteligência da rede.

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