sábado, julho 13, 2024

Carne cultivada: o futuro do alimento

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O atual cenário vivido pelo setor alimentício é de grande transformação, impulsionado por diversos fatores como mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores, preocupações com a sustentabilidade, avanços tecnológicos e novas demandas sociais e econômicas. A carne cultivada em laboratório é sem dúvidas uma das tendências mais importantes e promissoras do segmento, e a ideia é que seja um produto disponível para toda a população e complemente o método tradicional de produção de proteínas.

Ela é feita por meio da coleta de células de determinado animal e seu cultivo é realizado em um ambiente controlado. A partir do momento em que há a construção do banco de células para essa finalidade, não é mais preciso retirá-las dos animais novamente. Com isso, por meio de técnicas de cultura celular, é possível expandir tais células para estruturá-las no formato do tecido ou corte desejado com técnicas e ferramentas de bioimpressão 3D.

Uma das vantagens apresentadas por esse tipo de produção é um avanço ao bem-estar animal, já que ela elimina a necessidade de criá-los apenas para o abate, o que reduz significativamente seu sofrimento. Além disso, há benefícios relacionados a saúde, já que a carne cultivada pode ser projetada para ter um perfil nutricional mais saudável do que a tradicional, tais como: menor teor de gordura e colesterol e níveis mais altos de nutrientes desejáveis; segurança alimentar, pois ela é produzida em ambientes controlados e isso reduz o risco de contaminação por patógenos; e eficiência, visto que ela pode ser fabricada em massa de forma eficiente, ajudando a atender à crescente demanda por carne, sem a necessidade de expandir a agricultura tradicional.

Já com relação às desvantagens, podemos destacar o seu custo, pois por ser um produto relativamente novo e possuir um processo complexo de cultivo, incluindo o uso de biorreatores, meios de cultura e mão de obra especializada, sua produção é mais cara. No entanto, é esperado que esse valor diminua à medida que a tecnologia se desenvolve e a produção aumenta. Há também as questões relacionadas à regulamentação, pois a carne cultivada ainda não está regulamentada na maioria dos países e isso dificulta sua ampla comercialização.

Outro ponto é que não há garantias sobre a aceitação do consumidor, principalmente entre o público vegano e vegetariano. Algumas pessoas também podem ter receio de comer esse tipo de alimento por sua natureza processada ou por preocupações com a segurança e o meio ambiente.

Portanto, para que ela passe a ser aceita e consumida no dia a dia, é importante educar o público sobre seus benefícios, promover suas vantagens e torná-la mais acessível. Vale destacar que o Brasil se sobressai no cenário global da produção de carne cultivada, ostentando um potencial significativo para se tornar um polo de inovação e liderança nesse setor em ascensão.

Existem alguns fatores que contribuem para essa perspectiva positiva, como o cenário regulatório favorável, já que o país é um dos primeiros a regularizar a produção e venda de carne cultivada. Em dezembro de 2020, a Instrução Normativa nº 78 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) definiu os requisitos para a produção e comercialização do produto, abrindo caminho para o desenvolvimento da indústria nacional.

O país possui ainda um conhecimento técnico e científico robusto na área de produção de carne, fruto de sua longa tradição na indústria agropecuária. Essa expertise, combinada à infraestrutura já existente e a capacidade de produção em larga escala, torna o Brasil um ambiente extremamente propício para o desenvolvimento desse tipo de alimento.

Para finalizar, somado a isso, podemos observar também um investimento crescente do setor privado na pesquisa e desenvolvimento de carne cultivada. Empresas como JBS, BRF e Marfrig já demonstraram interesse na tecnologia, reconhecendo seu potencial para o futuro da indústria alimentícia.

Leonardo Zanovello,  Account Manager da Corning Life Sciences da América Latina.

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