sábado, julho 13, 2024

Universidade de Columbia publica estudo sobre impacto positivo dos parques urbanos do Rio de Janeiro contra as mudanças climáticas

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Dias após a inauguração do Parque Realengo Susana Naspolini, a Universidade de Columbia, através do Columbia Global Center Rio e do Climate Hub Rio, divulgou um estudo abrangente demonstrando como os novos parques urbanos da cidade do Rio de Janeiro contribuem no combate às mudanças climáticas. Intitulado “Parques urbanos e o combate à crise climática: o caso do Rio de Janeiro”, o trabalho evidencia como a criação de espaços verdes pode ser uma estratégia eficaz para mitigar os impactos das mudanças climáticas, além de oferecer inúmeros benefícios ambientais e sociais para a cidade.

Segundo a análise do Climate Hub, os novos parques urbanos do Rio de Janeiro, como o Parque Madureira e o recém-inaugurado Parque Rita Lee, já desempenham um papel crucial na captura de carbono, essencial para a redução dos níveis de CO2 na atmosfera. O estudo do escritório de representação da Universidade de Columbia no Brasil destaca que a vegetação presente nesses parques absorve dióxido de carbono durante o processo de fotossíntese, armazenando carbono tanto na biomassa quanto no solo. Esta função é vital para ajudar a cidade a cumprir suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e contribuir para os esforços globais de mitigação das mudanças climáticas.

“O Rio de Janeiro é um líder global em respostas inovadoras e econômicas para a crise climática. A criação de uma série de cinco parques urbanos é mais uma iniciativa da cidade a ser comemorada. Áreas verdes em cidades densamente povoadas, como o Rio, proporcionam aos cidadãos temperaturas mais amenas durante as ondas de calor, ajudam a absorver águas pluviais e até contribuem para a captura de carbono. Nossa equipe do Climate Hub Rio está acompanhando de perto essa inovação e ajudará a disseminar as lições aprendidas para outros Global Centers de Columbia ao redor do mundo”, afirma Thomas Trebat, diretor do Columbia Global Center Rio e Climate Hub Rio.

Outro benefício significativo desses parques é sua capacidade de funcionar como áreas de infiltração de água, absorvendo grandes volumes de chuva. Isso é especialmente importante em uma cidade como o Rio de Janeiro, que frequentemente enfrenta chuvas intensas e subsequentes inundações. A construção de novos parques urbanos como Parque Carioca da Pavuna, Parque Realengo Jornalista Susana Naspolini, Parque Oeste e Parque Piedade ajudam a reduzir o risco de enchentes e deslizamentos de terra, que são comuns devido à geografia acidentada e à urbanização desordenada das últimas décadas. O Parque Oeste tem uma área destinada a um reservatório natural para acumular a água da chuva, com capacidade para 18 milhões de litros de água, mesmo volume do piscinão da Praça da Bandeira. Ao melhorar a gestão das águas pluviais, essas áreas verdes ajudam a proteger a infraestrutura da cidade, com benefícios diretos à população no que diz respeito à resiliência climática.

Parque Madureira, inaugurado há mais de 10 anos na Zona Norte a cidade

O impacto positivo no microclima das regiões onde os parques estão localizados foi outro aspecto de destaque apontado no estudo. A vegetação contribui para a redução da temperatura local, mitigando o efeito das ilhas de calor urbanas, que ocorre quando áreas urbanizadas experimentam temperaturas significativamente mais altas do que as áreas rurais circundantes. Este efeito é particularmente problemático em áreas densamente povoadas e com pouca cobertura vegetal, como os subúrbios, Zona Norte e Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ao proporcionar sombra e liberar vapor d’água, as plantas ajudam a resfriar o ar, tornando o ambiente mais agradável e saudável para os moradores.

“O estudo da Universidade de Columbia indica que a cidade enfrenta e encontra caminhos para mitigar os desafios das mudanças climáticas. Mais que lazer, parques urbanos oferecem infraestrutura para uma cidade resiliente. Ser exemplo no mundo – como o Rio é – reforça o compromisso público com a entrega dos parques Realengo e Oeste, por exemplo, e deve inspirar a iniciativa privada em projetos em parceria, como o Jardim de Alah. O Rio investe em acesso ao meio ambiente em áreas mais vulneráveis às ondas de calor e enchentes. E isto é reconhecido por uma das maiores universidades do mundo.”, afirmou Lucas Padilha, secretário municipal da Casa Civil.

O estudo da Universidade de Columbia destaca que a criação de cinco novos parques no Rio de Janeiro está alinhada com a reputação da cidade como líder em resiliência urbana. Este desenvolvimento não só fortalece a infraestrutura verde da cidade, mas também serve como um modelo para outras metrópoles do Sul Global que enfrentam desafios semelhantes com recursos limitados.

Parques como ferramentas de adaptação às mudanças climáticas

Os parques urbanos são destacados no estudo como ferramentas essenciais para a adaptação às mudanças climáticas. A pesquisa detalha várias maneiras pelas quais esses espaços verdes contribuem para a resiliência da cidade:

Redução das Ilhas de Calor: As ilhas de calor são áreas urbanas que, devido à alta concentração de concreto e asfalto, retêm mais calor do que áreas com vegetação. Os parques ajudam a mitigar esse efeito ao fornecer sombra e liberar vapor d’água através da evapotranspiração, o que ajuda a resfriar o ambiente. Essa redução de temperatura é crucial para melhorar a qualidade de vida dos moradores e reduzir o consumo de energia, já que menos ar condicionado é necessário.

Gestão das Águas Pluviais: Os parques urbanos são projetados para absorver e reter a água da chuva, funcionando como áreas de biorretenção. Isso não apenas ajuda a prevenir inundações, mas também melhora a qualidade da água, filtrando poluentes antes que a água seja devolvida aos cursos d’água naturais. Esse processo é vital para a manutenção de ecossistemas aquáticos saudáveis e para a proteção contra desastres naturais.

Proteção contra Desastres Naturais: Ao aumentar a permeabilidade do solo, os parques reduzem o escoamento superficial e a pressão sobre os sistemas de drenagem urbana. Isso é particularmente importante para o Rio de Janeiro, onde chuvas intensas podem causar deslizamentos de terra devastadores. A vegetação dos parques ajuda a estabilizar o solo e a reduzir a erosão, protegendo áreas vulneráveis e evitando tragédias.

Impacto socioeconômico

Além dos benefícios ambientais, os parques urbanos têm um impacto significativo na qualidade de vida dos moradores. Eles oferecem espaços para recreação, lazer e socialização, promovendo a saúde física e mental da população. Estudos mostram que o acesso a áreas verdes está associado a menores níveis de estresse e a uma melhor saúde geral.

O estudo conclui, ainda, que os parques desempenham papel importante para impulsionar a economia local, atraindo turistas e criando oportunidades de emprego. A presença de espaços verdes valorizados pode aumentar o valor das propriedades adjacentes, incentivando o desenvolvimento sustentável e a revitalização urbana.

O artigo está disponível na íntegra no link.

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