sexta-feira, julho 12, 2024

Vendas de veículos elétricos devem atingir recorde, mas desaceleração do crescimento preocupa

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O relatório Long-Term Electric Vehicle Outlook (EVO) da BloombergNEF mostra que a adoção de EVs continua crescendo, apesar das diferentes perspectivas no curto prazo. O novo relatório indica que a rápida queda nos preços das baterias, os avanços na tecnologia de baterias de última geração e a melhora da economia relativa dos veículos elétricos em comparação aos veículos de combustão interna, continuam a sustentar o crescimento mundial de EVs no longo prazo. No entanto, o relatório indica que a janela para alcançar as ambições mundiais net-zero no setor de transporte é mais estreita do que nunca.

O relatório apresenta dois cenários atualizados para o setor de transporte rodoviário: o estudo de base do Cenário de Transição Econômica (ETS, na sigla em inglês) – no qual a adoção de EVs é moldada por tendências tecnoeconômicas atuais, sem novas intervenções políticas – e o Cenário Net Zero (NZS, na sigla em inglês) – que aponta o alcance de uma frota mundial de zero emissões até 2050.

No estudo de base ETS, as vendas mundiais de veículos elétricos continuam a aumentar, embora o crescimento desacelere nos EUA e na Europa, em decorrência de mudanças regulatórias e políticas, e do adiamento de metas de EVs de algumas montadoras. Nos EUA, a falta de modelos de baixo custo e o nervosismo do mercado pelas próximas eleições presidenciais ajudaram a desacelerar as vendas neste ano. Na Europa, as metas de consumo de combustível, que se tornarão mais rigorosas apenas em 2025, aliviaram as montadoras da pressão para aumentar significativamente as vendas de EVs. 

O relatório também mostra que os veículos elétricos não são mais apenas um fenômeno de países ricos, e que países como a Tailândia, a Índia e o Brasil estão registrando recordes de vendas, à medida que modelos elétricos de baixo custo são lançados visando compradores locais. A China, líder mundial em EVs, não fica para trás e deve manter sua liderança como o maior mercado do mundo, apesar dos primeiros sinais de saturação de alguns segmentos e de uma perspectiva econômica mais rígida.

A tecnologia de base da eletrificação continua a melhorar, os preços das baterias continuam a cair, e a adoção de EVs deixa de ser orientada por políticas públicas e passa a ser orientada pela demanda de consumo dos mercados. As vendas de EVs de passageiros devem exceder 30 milhões em 2027 no ETS e crescer para 73 milhões por ano em 2040, contribuindo, respectivamente, 33% e 73% para as vendas mundiais de veículos nesses anos.

Figura 1: Vendas mundiais de EVs de passageiros no longo prazo por mercado no Cenário de Transição Econômica da BNEF

A BNEF também constata que a eletrificação está se espalhando rapidamente para todos os setores de transporte rodoviário – de triciclos até caminhões pesados. As vendas de veículos de duas e três rodas continuam a aumentar nas economias emergentes e as vendas de elétricos devem exceder 90% em todo o mundo até 2040. A descarbonização do setor de veículos comerciais – vans, caminhões e ônibus – já começou e deve acelerar. A rápida adoção de EVs em todos os segmentos de veículos cria uma oportunidade de mercado sem precedentes. O valor acumulado das vendas de EVs em todos os segmentos pode atingir US$ 9 trilhões até 2030 e US$ 63 trilhões até 2050 no cenário ETS da BNEF. Pelo menos US$ 35 bilhões precisam ser investidos em células de bateria e fábricas de componentes até o fim da década, embora isto seja facilmente ultrapassado pelos US$ 155 bilhões em investimento já planejados pelas empresas.

Apesar do progresso, o setor de transporte rodoviário mundial ainda não está no caminho para uma transição net-zero. Enquanto o cenário NZS da BNEF exige que 100% da frota de carros rodoviários seja eletrificada até 2050, o estudo de base ETS atinge apenas 69% no mesmo ano. Isto mostra que as tendências tecnoeconômicas atuais, por si só, não são suficientes para fazer com que o setor de transporte acompanhe as metas climáticas mundiais, e que um apoio regulatório contínuo ainda é necessário.

Atualmente, apenas um segmento de transporte rodoviário – os veículos de três rodas – está no caminho certo para alcançar net-zero até 2050. Os veículos comerciais médios e pesados estão ainda mais fora do caminho para esta meta: os powertrains elétricos e de células de combustível de hidrogênio representam apenas 18% das vendas globais de caminhões até 2030 e 43% até 2040 – o que já representa uma mudança significativa para o setor.

“Os fabricantes de caminhões estão prestes a passar por uma rápida transformação tecnológica em função de metas ambientais rigorosas na Europa e nos EUA. A rapidez desta mudança será inédita para o setor, mas o cumprimento de um cenário alinhado com o Acordo de Paris requer uma produção ainda mais rápida de veículos zero emissões”, disse Nikolas Soulpoulos, head de transporte comercial da BNEF.

Figura 2: Vendas mundiais anuais de veículos elétricos no Cenário de Transição Econômica da BNEF e no Cenário Net Zero

De acordo com o Cenário Net Zero, para que o mundo atinja uma frota de veículos zero emissões até 2050, as vendas de veículos a combustão precisam cessar por volta de 2038. Para isso, os principais mercados precisam eliminar progressivamente a produção de veículos a combustão já no início da década de 2030. No Cenário de Transição Econômica, apenas os países nórdicos alcançarão a eliminação total dos veículos a combustão antes de 2038. À medida que mais países implementam estratégias industriais para tirar algum proveito da transição, as metas climáticas correm o risco de ficar ainda mais fora de alcance. Os governos precisarão ponderar cuidadosamente as prioridades e evitar políticas que reduzam a concorrência ou o acesso a EVs a preços acessíveis.

“Os governos que tentam defender a fabricação doméstica ao custo de uma descarbonização mais rápida devem considerar muito cuidadosamente o que estão priorizando, já que ainda é possível atingir net-zero no setor de transporte rodoviário até 2050, mas é necessário um progresso muito mais rápido, disse Aleksandra O’Donovan, head de veículos elétricos da BNEF.

Outras conclusões do relatório Long-Term Electric Vehicle Outlook:

A venda mundial de veículos elétricos de passageiros continua a crescer, mas a taxa de crescimento nos próximos anos é visivelmente menor do que antes. Nos próximos quatro anos, as vendas de carros elétricos aumentarão em média 21% ao ano no Cenário de Transição Econômica, em relação à média de 61% entre 2020 e 2023. A participação de EVs na venda mundial de veículos novos de passageiros aumentará 33% em 2027, em relação a 17,8% em 2023. Apenas a China (60%) e a Europa (41%) estarão acima da média mundial até lá. As vendas de EVs no Brasil quintuplicarão até 2027 e triplicarão na Índia.

O Cenário Net Zero exige uma transição muito mais rápida. Até 2035, haverá 476 milhões de EVs em circulação, que aumentará para 722 milhões até 2040, representando 45% da frota. No Cenário Net Zero, este número é de 679 milhões e 1,1 bilhão, respectivamente.

As vendas de veículos de combustão interna já atingiram seu pico. As vendas de veículos de combustão interna atingiram seu pico em 2017, e até 2027, estarão 29% abaixo do pico em nosso relatório. Nossa análise econômica indica que os veículos elétricos são o principal método de descarbonização do transporte rodoviário. Ainda assim, os híbridos podem ter um papel significativo no curto prazo, principalmente em mercados com regras de eficiência de combustível cada vez mais rigorosas. De acordo com nosso relatório, a adoção de híbridos representará entre 5% e 45% das vendas até 2030, dependendo do mercado.

Os híbridos plug-in (PHEVs, sigla em inglês) estão voltando, mas seu papel na transição ainda não está claro. A autonomia média dos PHEVs está aumentando rapidamente, chegando a 80km em 2023 e tornando esses veículos mais atraentes, principalmente na China, onde as vendas crescem rapidamente. Ainda há grandes questões a serem respondidas sobre a frequência com que esses veículos são usados no modo elétrico. Se os PHEVs substituírem as vendas de veículos elétricos a bateria e não usarem seu potencial elétrico completo, eles podem adicionar tanto ao consumo de petróleo como às emissões.

EVs rodam mais quilômetros do que os seus equivalentes a combustão. A análise da meta de padrões de condução de veículos elétricos em diferentes países mostra que os veículos totalmente elétricos rodam mais quilômetros anuais do que os veículos a gasolina. Há uma variação significativa por país e os EUA são uma grande exceção com menos quilômetros percorridos por EVs.

Os caminhões pesados elétricos tornam-se economicamente viáveis, na maioria dos casos, até 2030. Em segmentos mais pesados, os caminhões elétricos a bateria são mais utilizados em trajetos urbanos. Mas seu desempenho tende a melhorar em rotas de longa distância e, por volta de 2030, se aproximará do desempenho dos motores a diesel. Os caminhões a célula de combustível permanecem uma opção viável para alguns trajetos e em alguns países, mas suas perspectivas são incertas .

•         O excesso de produção é um grande problema para os fabricantes de baterias. A capacidade planejada de fabricação de células de íon de lítio até o fim de 2025 é mais de cinco vezes a demanda mundial por baterias (1,5Twh) prevista para o mesmo ano. A demanda anual por baterias de lítio aumenta rapidamente no Cenário de Transição Econômica, se aproximando a 5,9 terawatt-hora por ano até 2035.

•         As baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP, sigla em inglês) estão assumindo o controle do mercado de EVs. As melhorias na tecnologia de fosfato de lítio (LFP) possibilitaram um aumento de sua participação no mercado, particularmente na China, onde os preços das células caíram para US$ 53/kWh até o momento. Neste relatório, a LFP ultrapassará 50% de participação no mercado mundial de veículos elétricos de passageiros nos próximos dois anos. Como resultado, o níquel e o manganês deverão sofrer maior pressão. Devido à mudança para produtos químicos de baixo custo, o consumo de níquel e manganês até 2025 é, respectivamente, 25% e 38% menor em comparação ao relatório anterior.

•         O deslocamento da demanda de petróleo por veículos elétricos está começando a ganhar impulso. Com 83 milhões de carros, caminhões e ônibus elétricos e mais de 340 milhões de veículos elétricos de duas e três rodas em circulação já no próximo ano, nos próximos três anos, a demanda por petróleo, que será substituída por todos os tipos de veículos elétricos e movidos a célula de combustível, reduzirá pela metade em relação à atual, chegando a quase 4 milhões de barris por dia em 2027. Este é um pouco mais do que o volume consumido pelo Japão em 2022.

•         Uma frota mundial totalmente elétrica pode consumir o dobro da quantidade de eletricidade consumida pelos EUA em 2023. Até 2050, no Cenário Net Zero, serão necessários cerca de 8,313TWh de eletricidade para alimentar uma frota de veículos totalmente elétricos, o dobro da quantidade de eletricidade consumida nos EUA em 2023. Apesar do grande crescimento na demanda por eletricidade, os veículos elétricos podem ajudar na eletrificação do sistema de energia por meio da recarga inteligente, à medida que as operadoras de rede implementam preços variáveis e outros mecanismos para incentivar flexibilidade.

•         Para atender à crescente demanda por eletricidade dos EVs, o setor de recarga precisará se expandir rapidamente na próxima década. Até 2050, serão necessários entre US$ 1,6 trilhões e US$ 2,5 trilhões em investimentos cumulativos em infraestrutura de recarga, instalação e manutenção, dependendo do cenário.

Um resumo executivo abrangente com as principais conclusões e mais informações sobre o relatório Long-term Electric Vehicle Outlook pode ser encontrado neste link.

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