quinta-feira, junho 20, 2024

Análise de DNA vai contribuir para salvar da extinção ave brasileira criticamente ameaçada

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O Dia Mundial da Biodiversidade (22) traz o alerta para a urgência da conservação de espécies nativas da fauna e flora, especialmente as ameaçadas de extinção e endêmicas. Desde 2021, a Vale, por meio Reserva Natural Vale, possui um acordo de cooperação técnica com o Instituto Marcos Daniel (IMD), uma associação privada sem fins lucrativos, para a conservação da Saíra-apunhalada (Nemosia rourei), espécie de ave endêmica da Mata Atlântica do Espírito Santo e criticamente ameaçada de extinção globalmente.

Recentemente, o Instituto Tecnológico Vale (ITV) começou um trabalho de sequenciamento genético da espécie, em parceria com o ICMBio, com o objetivo de entender a história natural da espécie que levou ao quadro atual e traçar estratégias para sua conservação. No início do programa de conservação, foram identificados apenas 11 indivíduos. Com o apoio técnico da Vale, por meio do trabalho de campo e de proteção de ninhos, evitou-se a predação por predadores naturais, como os tucanos e araçaris, por exemplo, e o número já aumentou para 20 aves, sendo 15 na Reserva Kaetés, em Castelo/Vargem Alta, e 5 na Reserva Biológica Augusto Ruschi, em Santa Teresa.

Trabalho de campo e de proteção de ninhos feito pela Vale contribuiu para aumentar espécie de 11 para 20 aves

“O genoma é como uma cápsula do tempo, então ali dentro estão todas as informações sobre os nossos antepassados. A partir do sequenciamento do genoma da Saíra-apunhalada, será possível calcular o tamanho da população da espécie de milhares de anos atrás, saber como foi a trajetória dessa população e por que hoje há poucas aves, além de permitir calcular quantas aves da espécie é preciso ter para que ela não seja extinta. Isso é uma informação que não se tem para a maior parte das espécies da biodiversidade brasileira. Então, o trabalho vai ajudar muito em programas de conservação da espécie. A Saíra-apunhalada é uma das primeiras espécies no Brasil que iremos sequenciar o genoma completo de seis indivíduos. Estamos muito otimistas com o caminho que os resultados vão nos apontar em direção a traçar um plano de ação de conservação da espécie”, afirmou Alexandre Aleixo, pesquisador do ITV e coordenador do projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira, iniciativa do ITV com o ICMBio.

O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira é o primeiro consórcio genômico com enfoque em biodiversidade. “O objetivo dessa parceria do ITV com o ICMBio é colocar em prática o uso de dados genéticos em prol da conservação da biodiversidade dos biomas brasileiros”, complementou Aleixo.

Já há outros 20 projetos de espécies variadas definidos, como arara-azul, anta, espécies de plantas também – como açaí, castanha do Pará. Até o final da primeira fase da parceria, em 2027, é esperado que a quantidade total de espécies sequenciadas geneticamente chegue a mais de 100.

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