quinta-feira, junho 20, 2024

Portal do CPS utiliza plugin para daltonismo criado por alunos de Etec

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A primeira ideia para o trabalho de conclusão de curso (TCC) de três alunos do Ensino Médio Integrado ao Técnico em Informática para Internet era refazer totalmente o site da Escola Técnica Estadual (Etec) Bartolomeu Bueno da Silva – Anhanguera, de Santana de Parnaíba. O resultado ultrapassou as expectativas, alcançando um novo patamar de acessibilidade, ao incorporar um plugin para oito tipos de daltonismo. Nesta sexta-feira (17), o layout totalmente renovado da unidade entrou no ar e o plugin foi adotado também por todos os sites vinculados ao portal do Centro Paula Souza (CPS).

Os estudantes João Paulo Rodrigues Medeiros, Mailon Santos Davi e Othávio Hiroyuki Martins Nakamura reuniam-se frequentemente para discutir os rumos do trabalho, já com a ideia de melhorar a acessibilidade do site. “O que mais nos incomodava era o fato de que o site não fazia justiça à qualidade da escola”, diz João, que conhecia as paletas para portadores de daltonismo a partir dos jogos digitais. “Só quem passou pela experiência de estudar na Etec sabe como é. Não se trata de uma escola comum – o Ensino Técnico dá a você outra visão”, justifica.

Óculos especiais

Nesse meio tempo, Othávio passou um mês em Brighton, na Inglaterra, em um intercâmbio cultural promovido pela Assessoria de Relações Internacionais (ARInter) do CPS. Entre seus colegas de turma, chamou sua atenção um rapaz que usava óculos com lentes de tonalidade diferente das convencionais. Eram lentes para daltônicos, descobriu Othávio, que, de volta ao Brasil, levou a informação aos colegas.

Nas reuniões do grupo, começou a se forjar a ideia de incluir no site uma ferramenta que ajudasse pessoas com daltonismo a ajustar as cores da tela, algo semelhante ao filtro usado nos smartphones. A primeira descoberta: existem vários tipos de daltonismo, o que levou os estudantes a mergulhar em uma extensa pesquisa a fim de contemplar o maior número possível de ususários que vivem com essa condição. Identificaram oito tipos, o que elevou o grau de dificuldade do trabalho. Nada, porém, que desanimasse os estudantes.

Ricardo Leardini Lobo, orientador do grupo, vinha de uma experiência com um aluno com 100% de deficiência visual. “A faculdade em que eu lecionava, da rede particular, não deu a ele nenhum tipo de suporte”, lembra o professor. “Eu me interessei pelo assunto, comecei a pesquisar e entendi que a deficiência visual não se restringe à perda completa de visão”, conta, depois de muito estudo e vários artigos publicados sobre o tema.

Legado para a escola

A acessibilidade acabou se tornando um diferencial de peso no projeto. “Não havíamos pensado no plugin como foco principal do trabalho”, lembra Othávio. “Tudo aconteceu de forma orgânica”. Para João e Mailon não foi diferente – todos queriam deixar o seu legado para a escola.

Outro ponto importante do trabalho é a sua leveza. “Computacionalmente, não foi necessário instalar nada. Criamos uma mecânica em que o arquivo de estilos, visto na tela, exibe várias paletas de cores e o usuário escolhe a que mais se adapta a ele apenas com um clique”, explica Lobo. “Facilitamos o que seria uma série de processos no computador – o nosso plugin só precisa ser embutido, o usuário não tem que baixar nada”, completa Othávio.

Trilíngue, com tradução em Libras e bem organizado, o site ficou completo. Ou quase. Mesmo que já tenham concluído o curso, os jovens seguem pensando em como aperfeiçoá-lo. “Ainda queremos fazer um tour 360 graus pela escola”, avisa Mailon. Com a adoção do plugin pelo CPS, o legado que os estudantes queriam deixar para a sua escola acabou por se estender a um número de pessoas muito maior.

O plugin já está em funcionamento. Para utilizar a ferramenta, basta acessar os endereços cps.sp.gov.br ou etecanhanguera.cps.sp.gov.br, selecionar o Filtro de Daltonismo no menu inferior esquerdo e escolher uma opção.‌

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