sexta-feira, maio 17, 2024

Desafios e oportunidades na gestão de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos segundo a ONU

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O relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU), intitulado “The Global E-waste Monitor 2024”, revela uma realidade alarmante que demanda nossa atenção imediata. Os números apresentados são mais do que estatísticas frias, eles refletem um problema crescente que afeta diretamente nossa qualidade de vida e o ambiente que compartilhamos. Com uma geração mundial de resíduos de eletroeletrônicos e eletrodomésticos excedendo dramaticamente nossa capacidade de reciclagem realizada, é imperativo que abordemos esse desafio de frente.

A escalada vertiginosa desses resíduos, aumentando a uma taxa cinco vezes mais rápida do que nossa capacidade de reciclagem, deve ser um alerta para todos. Em 2022, atingimos a marca de 62 milhões de toneladas desses materiais descartados, representando um aumento significativo de 82% desde 2010. Para ilustrar a magnitude desse problema, pense em 1,55 milhão de caminhões de 40 toneladas alinhados, formando uma fila que circunda o globo na linha do Equador. Este é o volume de resíduos que o mundo produz em apenas um ano.

Além dos números globais alarmantes, uma análise mais aprofundada por região revela padrões interessantes e preocupantes. Ao examinarmos os principais produtores per capita de resíduos de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, constatamos que a Europa lidera, com 17,6 kg por pessoa, seguida pela Oceania, com 16,1 kg, e pela América, com 14,1 kg. Esses números ressaltam a magnitude do desafio que enfrentamos em todas as partes do mundo, independentemente do desenvolvimento econômico ou do tamanho da população. Uma observação notável é o papel do Brasil como o principal gerador de resíduos na América do Sul, contribuindo com 2,4 milhões de toneladas para o total global.

A falta de uma cultura de descarte adequado é um dos principais responsáveis por essa crise. Muitas vezes, os consumidores simplesmente descartam seus dispositivos eletroeletrônicos e eletrodomésticos antigos de forma irresponsável, sem considerar o impacto ambiental ou a possibilidade de reciclagem. Esse comportamento não apenas desperdiça recursos valiosos, mas também coloca em risco nossa saúde e o meio ambiente. Os materiais tóxicos presentes nesses dispositivos podem contaminar o solo, a água e o ar, contribuindo para uma série de problemas ambientais e de saúde pública.

As projeções futuras são igualmente preocupantes. O relatório sugere que podemos esperar um aumento anual de 2,6 milhões de toneladas na geração de resíduos de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, com a possibilidade de atingir 82 milhões de toneladas até 2030. Esses números não devem ser ignorados, pois têm implicações econômicas, ambientais e sociais significativas.

No entanto, nem tudo está perdido. O relatório também destaca uma oportunidade para uma mudança positiva. Se os países conseguirem aumentar as taxas de recolhimento e reciclagem para 60% até 2030, os benefícios econômicos e ambientais superarão os custos em mais de US$ 38 bilhões. Isso não é apenas viável, mas também essencial para garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.

Para alcançar esse objetivo, é fundamental que todos os setores da sociedade se unam em prol da causa. Governos, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos têm um papel fundamental a desempenhar na implementação de políticas e iniciativas que incentivem a reciclagem responsável. Além disso, é importante educar e capacitar os consumidores para que possam fazer escolhas informadas e adotar práticas de descarte sustentáveis.

A transição para uma economia circular, na qual os recursos são reutilizados e reciclados de forma eficiente, é essencial para enfrentar os desafios apresentados pelo aumento dos resíduos de eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Ao adotarmos uma abordagem holística e colaborativa, podemos transformar essa crise em uma oportunidade para promover um futuro mais sustentável e próspero para todos.

Em última análise, trata-se de mais do que apenas gerenciar resíduos, trata-se de proteger nosso planeta e as gerações futuras. É hora de agir com determinação e visão, antes que seja tarde demais.

Helen Brito, Gerente de Relações Institucionais da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.

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