quarta-feira, maio 22, 2024

Como a automação permite ao agronegócio superar desafios climáticos

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Há cerca de 10 mil anos, com o desenvolvimento da agricultura – a chamada Revolução Neolítica – a humanidade mudou seu estilo de vida nômade e constituiu sociedades sedentárias, dando início ao processo de construção de cidades.

Desde então, o setor agrícola vem enfrentando desafios para alimentar a crescente população mundial, agravados pelas alterações climáticas que acenderam o alerta em toda a sociedade.

Especialistas do WEF (World Economic Forum) apontam que a agricultura é responsável por cerca de 23% das emissões de gases de efeito de estufa causadas pelo homem e utiliza até 92% da água doce do mundo. Além disso, de acordo com um relatório da WWF (World Wide Fund for Nature), cerca de 40% dos alimentos cultivados são desperdiçados.

E, segundo o Banco Mundial, as alterações climáticas e a insegurança alimentar e nutricional representam dois dos maiores desafios de desenvolvimento do nosso tempo. Os analistas afirmam que um sistema alimentar mais sustentável pode não só preservar o planeta, mas garantir a segurança alimentar para todos.

Um novo modelo de agricultura sustentável

O agronegócio precisa estar preparado para alimentar uma população global que deve chegar a 9,7 bilhões de pessoas até 2050. Mas, tradicionalmente, o aumento da produção alimentar tem estado associado à expansão agrícola e à utilização insustentável da terra e dos recursos, levando a um aumento das emissões.

Para mudar esse cenário, o Banco Mundial propõe o modelo de Climate-Smart Agriculture (CSA), uma abordagem holística para acabar com a insegurança alimentar e promover o desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo que aborda as questões das alterações climáticas. O CSA é um conjunto de práticas e tecnologias agrícolas que simultaneamente aumentam a produtividade, aumentam a resiliência e reduzem as emissões de gases de efeito estufa.

Tecnologia é o caminho para a sustentabilidade financeira e ambiental

Esse novo modelo de agricultura depende basicamente da tecnologia para a sua implementação, de modo que o setor do agronegócio possa lidar com o aumento dos custos trabalhistas, as alterações climáticas e os custos crescentes decorrentes da perda e desperdício de alimentos.

E a resposta está na adoção da automação e da IA (Inteligência Artificial), capaz de entregar retornos mais rapidamente e com menor investimento do que uma reformulação global das operações.

Essa é a chamada Agricultura 4.0, ou agricultura de precisão, um desenvolvimento lógico dos sistemas de produção de alimentos, empregando estratégias de sensoriamento remoto e tecnologias incorporadas para gerenciar e controlar o desempenho geral.

A Agricultura 4.0 utiliza ferramentas de Internet das Coisas e Big Data para gerenciar o agronegócio, relacionando soluções de agricultura de precisão (sensores, inteligência artificial, robôs, drones) com Smart Farming, que utiliza ferramentas como software de gestão, análises e sistema em nuvem, na busca pelo desenvolvimento de processos e técnicas agrícolas.

Na agricultura de precisão, a previsão meteorológica em tempo real ajuda os agricultores nas decisões diárias sobre quando e quanto irrigar, fertilizar e aplicar pesticidas nas suas culturas.

Além disso, a agricultura com ambiente controlado promete reduzir ainda mais o impacto climático. Estufas inteligentes são completamente automatizadas, geridas por algoritmos que garantem condições ideais para o crescimento das plantas, ajustando fatores como ventilação, iluminação artificial e aquecimento.

O perfil de risco das alterações climáticas na indústria alimentar e no agronegócio é complexo. O setor é altamente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, mas, com a automação, estará bem posicionado para mitigar esses riscos e se beneficiar das oportunidades de transição para um futuro mais sustentável.

A verdade é que os desafios urgentes exigem nada menos do que ações imediatas para explorar as possibilidades e implementar soluções. Precisamos de um modelo de agronegócio sustentável, eficiente e capaz de atender as demandas alimentares de todo o mundo. E a tecnologia e automação fazem parte desse caminho.

Fernando Cesar Rocha, coordenador de vendas da Mitsubishi Electric Brasil

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