quarta-feira, maio 22, 2024

Presença feminina é cada vez maior no canteiro de obras

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A Confederação Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) aposta em um crescimento no setor de construção civil em 2024. A tendência é que, com os incentivos governamentais, construtoras consigam aumentar os empreendimentos e, também, a oferta de trabalho. Um dos desafios para o setor, no entanto, é a contratação de mão-de-obra qualificada. 

Já há alguns anos esse cenário é encarado como oportunidade por empresas e por mulheres que atuam no segmento. Apesar de a construção civil ainda ser um setor predominantemente masculino, os números e a prática cotidiana confirmam que a força de trabalho feminina vem aumentando. Em empresas como a Lyx Participações e Empreendimentos, elas ocupam as mais variadas funções, atuando nos canteiros de obra, departamentos de engenharia e arquitetura e em postos estratégicos de gestão.

Números

De acordo com a Cbic, em 2023 o número de trabalhadores formais na construção civil cresceu 6,57%. Ao longo de todo o ano passado, foram gerados 158.940 novos postos de trabalho com carteira assinada, de acordo com os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados no final de janeiro pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE). 

Em outubro de 2023, o setor da construção civil atingiu a marca de 2,675 milhões trabalhadores com carteira assinada, o patamar mais elevado desde julho de 2015, quando alcançou 2,693 milhões.

“Estamos em um momento de alta demanda imobiliária e a participação das mulheres na construção civil é fundamental para reduzir esses gargalos e melhorar o desempenho do setor”, pontua o vice-presidente comercial da Lyx, Paulo Antonio Kucher. 

O segmento Minha Casa Minha Vida, no qual a Lyx atua, vem crescendo desde setembro de 2023, com a primeira redução significativa da Selic. A construção civil responde por 6% do total de trabalhadores formais no país e, somente a incorporadora, projeta criar 5 mil novos postos de trabalho no Paraná e no Rio Grande do Sul, entre empregos diretos e indiretos ao longo de 2024.

“Hoje, as empresas buscam resultado e bons profissionais. Por isso, a questão de gênero não interfere e as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço em todos os setores, entre eles a construção civil, onde os homens sempre foram maioria”, pontua o vice-presidente. 

Só no Rio Grande do Sul, a Lyx está com cinco obras em andamento e a previsão de lançar outros cinco empreendimentos até dezembro, com a criação de pelo menos 4 mil novas oportunidades de trabalho.

A maior participação feminina, de acordo com Kucher, deve-se também às novidades do mercado, questões sociais e de governança e equidade de gênero. “A equidade de gênero ainda é um desafio porque, historicamente, os homens ainda são maioria nas faculdades de engenharia e arquitetura e nos canteiros de obras. Mas estamos trabalhando para promover mais oportunidades às mulheres dentro da empresa”, comenta.

Luana Fialkoski, gestora de produção na Lyx, diz que durante sua trajetória profissional trabalhou com mulheres que a ensinaram, inspiraram e que plantaram nela a vontade de também apoiar outras mulheres nesse meio. “Quando assumi o setor de Gestão da Produção aqui na Lyx, contratamos mulheres para o canteiro de obra e percebemos nelas a vontade de executar trabalhos que eram considerados masculinos por serem braçais. Demos treinamentos e formamos uma equipe apenas de mulheres”, relata. 

De acordo com o Ministério do Trabalho e a Relação Anual de Informações Sociais, entre os anos de 2002 e 2012 a participação das mulheres na construção civil cresceu 65%, assim como o número de mulheres matriculadas nos cursos de engenharia civil, que tem crescido de forma contínua desde 2007. 

Mas o caminho ainda é longo. Segundo o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), menos de 20% dos profissionais de engenharia cadastrados são mulheres no Brasil. 

Luana aponta que nos últimos anos a adesão de mulheres no setor tem crescido exponencialmente. Ela destaca que na Lyx, por exemplo, elas já são mais de 50% do corpo administrativo. “É muito interessante trabalhar em um local que busca essa equidade em um mundo tão repleto de preconceitos contra as mulheres e que vê essa sede de mudanças de forma ativa, dando oportunidade para elas em todas as áreas”, aponta.

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