quarta-feira, maio 22, 2024

Petrobras desenvolve adesivo anticorrosivo de PET 100% reciclado

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Entre as patentes depositadas pelo Centro de Pesquisas Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), neste ano, está um adesivo anticorrosivo à base de PET, 100% reciclado. O produto, inédito no mercado, é de fácil aplicação e pode ser utilizado em instalações industriais, como plataformas e refinarias, instalações prediais e até para uso doméstico. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), resultou em uma parceria com a empresa Karoon Energy. A empresa participa com a Petrobras da construção de uma planta piloto onde serão fabricadas as primeiras 60 mil unidades para testes e validação final do produto.

“A Petrobras é uma fábrica de inovação e podemos dizer que este é um produto, literalmente, aderente aos compromissos da empresa: sustentável, redutor de emissões, capaz de agregar valor ao negócio e contribuir para a segurança das nossas operações. Mais um resultado do nosso investimento responsável e atento às demandas da sociedade”, avalia Jean Paul Prates, presidente da empresa.

A Petrobras prevê obter um retorno estimado de R$ 9 milhões/ano considerando-se gastos com manutenção, mão de obra e número de intervenções para reparos.

‘Temos um plano de abrangência aprovado e vamos expandir o teste de campo com o produto final em plataformas das Bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. A Petrobras quer avançar no desenvolvimento da aplicação e formato do produto e estamos consultando o mercado para identificar parceiros para fabricação e comercialização após o teste final”, adianta Carlos Travassos, diretor de Engenharia Tecnologia e Inovação.

O material pode ser usado em qualquer superfície metálica que tenha dano na pintura. Chamado de PET Adesivo, dispensa preparos como lixamento: basta limpar a área a ser tratada com um pano úmido. Disponível inicialmente em formato semelhante a uma fita adesiva, é de fácil manuseio. Após a retirada da fita que protege a parte adesiva é só aplicar o material à superfície que necessita de reparo, impedindo que a corrosão se alastre. No caso do ambiente marinho, mais agressivo, o PET Adesivo permite que se estanque o processo corrosivo até que seja mobilizada a equipe necessária, em uma campanha planejada, para tratar essa condição.

“Para a Karoon, é fundamental participar de iniciativas que fomentem a inovação da indústria para o desenvolvimento de soluções que mitiguem danos e garantam a qualidade das instalações e do negócio, a exemplo do adesivo anticorrosivo, feito numa parceria com universidades e o Cenpes da Petrobras, referência na indústria de oléo e gás”, comenta Rudimar Lorenzatto, VP Senior de Produção e Desenvolvimento da Produção.

O Adesivo PET já foi testado em laboratório, em plataformas e refinarias como a Duque de Caxias (Reduc) no Rio de Janeiro e a previsão da empresa é completar o ciclo de desenvolvimento do produto em setembro desse ano.

Reciclagem

A idealizadora do PET Adesivo, Teresa Cristina Villano, acredita que, com o desenvolvimento dessa funcionalidade, chegou ao ápice da carreira, adiada “até que os dois filhos fossem mais independentes”. Profissional com diversas formações da área de Humanas, foi só em 2005, que ela entrou no mercado de trabalho. Fez concurso para a Petrobras, atuou na então área de engenharia e depois no Cenpes. “lá iniciei a prospecção de linhas de pesquisa que pudessem ajudar no dia a dia da empresa. Em visita a UFMG, há três anos, o professor Fernando Cotting me apresentou um trabalho que estavam desenvolvendo com PET reciclado”. Por três anos, ela e os colegas Fernando Cunha e Pedro Villalobos trabalharam em parceria com o pessoal da UFMG. A patente verde foi concedida em janeiro deste ano.

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