sábado, maio 25, 2024

Com aumento de demanda para ESG, startup 4 Hábitos Para Mudar o Mundo vê faturamento crescer em 10x e planeja expansão

Compartilhar

Os temas relacionados a ESG yêm crescido muito em todo o mundo e no setor de inovação, não tem sido diferente. Segundo estudo de 2023 do Pacto Global da ONU no Brasil junto com a Stilingue e consultoria Falconi, 78,4% das organizações incluíram o ESG em suas estratégias de negócios e 70% das companhias perceberam um impacto significativo na reputação e imagem como resultado dessa implementação.

Na Bossa Invest, empresa de Venture Capital early stage número um da América Latina segundo a plataforma internacional CB Insights, a vertical ESG é a segunda que mais cresce entre os setores das startups investidas pela companhia e contabilizou um incremento de 59,63%, entre janeiro e junho de 2023. Um dos destaques desse crescimento é a startup “Quatro Hábitos Para Mudar o Mundo”, que atua com gestão de resíduos: a empresa aumentou em dez vezes seu faturamento desde que entrou para o portfólio da casa de VC, em 2022.

A startup, que conta com mais de 35 soluções mapeadas para transformação de lixo em ecoprodutos, também conseguiu evoluir em quatro vezes seu volume de recuperação de resíduos após os aportes da Bossa, chegando ao marco de mais de 187 toneladas recuperadas. Atualmente em aceleração pelo BNDES Garagem, a 4 Hábitos já está presente em 19 cidades brasileiras e atende clientes como Ambev e Itaú. Para 2024, seu time já mira em uma expansão dentro dos estados em que já atua e, como parte dessa estratégia de crescimento, também vem ampliando seu foco para a educação, com cursos de conscientização e gestão de resíduos.

A CEO e fundadora da 4 Hábitos,  Ana Arsky, explica que o cenário é promissor e que a mudança de mentalidade das grandes empresas, profissionais e consumidores têm criado um cenário cada vez mais favorável para as startups ESG. “Hoje percebemos que quem olha apenas para ser maior, mas não está olhando para a qualidade de vida do colaborador e para o impacto que está sendo gerado para o planeta, tende a perder competitividade. Os melhores talentos olham para aspectos como satisfação e felicidade para escolher onde trabalhar. O consumidor também já tende a buscar empresas que colaboram com causas sociais e ambientais. Então, no futuro, as melhores para o planeta também serão as maiores”, afirma Ana.

Mas é realmente a hora e a vez das startups focadas em ESG?

Conforme o relatório ESG Report 2023, os investimentos em startups do segmento no Brasil tiveram seu pico no ano passado, com 90 rodadas, somando US$ 861,6 milhões. Para Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest, o setor deve crescer muito nesta década. “Temos as pautas de diversidade e inclusão, compensação de carbono e crise climática, por exemplo, que vão pulsar cada vez mais. O mercado tem cobrado mais impacto e mais transparência por parte das empresas. Acredito que  virão muitas startups para resolver grandes questões da sociedade”, avalia.

Em relação à disponibilidade de investimentos para startups ESG, a CEO da 4 Hábitos  acredita que existem oportunidades no Brasil, mas que os dados utilizados para avaliar esses negócios nem sempre são os melhores indicadores. “Assim como a cultura das empresas, o mercado de VC também está mudando. Os números que ele enxerga para avaliar uma startup tradicional e uma startup ESG não podem ser os mesmos. Temos que considerar que os valores gerados são diferentes. Quando uma startup entrega redução de emissões, impacto nas mudanças climáticas, aumento de economia regional, tudo isso é um valor que não vai aparecer no resultado financeiro, mas impacta o valuation”, afirma Ana.

A empreendedora acrescenta que o mercado percebe que as startups ESG têm mais longevidade. “Não se trata de ter um crescimento muito grande em pouco tempo, mas dele ser consistente, porque esse é um caminho sem volta: o mundo vai andar nessa direção e essa entrega, que parece intangível, é o que vai determinar o sucesso e a longevidade da startup ESG. Há empresas que querem ser as maiores do planeta, mas hoje já existe outro ponto de vista, que são aquelas que buscam ser as melhores para o planeta”, diz.

Em busca de um propósito

Arquiteta especialista em reabilitação urbana sustentável, motivada pelo sonho de atuar com sustentabilidade e pela frustração de não ter concretizado esse desejo em sua carreira, Ana Arsky escolheu, em 2019, mudar sua história. Depois de 23 anos à frente de um escritório de arquitetura tradicional, ela viu crescer a vontade de desenvolver projetos sustentáveis, o que foi o ponto de partida para  a 4 Hábitos.

Foi nesse caminho que a CEO encontrou o propósito que lhe faltava em duas décadas de profissão. Nessa época, após participar de um congresso sobre Lixo Zero, ela percebeu que os indicadores seguiram iguais, mesmo dez anos depois da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Eu entendi que queria fazer uma pequena contribuição para que isso mudasse”,  relembra.  O negócio começou com um cliente, e, apesar dos bons resultados obtidos – cerca de 93% de desvio de aterro sanitário  -, a necessidade de que essa geração de indicadores fosse qualificada para certificações fez com que a 4 hábitos se tornasse uma startup.

“Nós associamos mais tecnologia ao processo, utilizando Inteligência Artificial. Hoje temos uma plataforma e começamos a extrair mais valor sistêmico em volta do próprio resíduo, para demonstrar emissões de gás evitadas, desvio de aterro sanitário, quantidade de lixo recuperada e impacto social na cadeia. Tudo isso  gera valor para o cliente, que passa a ter mais clareza sobre seus indicadores de sustentabilidade”, pontua Ana. 

Após receber um aporte inicial de R$ 135 mil da Bossa Invest pelo Inova, a startup foi aprovada para a terceira fase do programa, com um aporte de mais de R$ 200 mil. “Conseguimos crescer o negócio e qualificar nossas ofertas. Além disso, com a entrada no portfólio da Bossa passamos a ser mais procurados pelo mercado”, completa Ana.

Leia Mais

Outras Notícias